segunda-feira, 5 de março de 2012

Nietzsche



"Eu não poderia crer num Deus, se ele não soubesse dançar. E quando vi o meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo e solene: era o espírito do Pesadume. É ele que faz cair todas as coisas.” Não é a cólera, mas o riso que mata. Adiante! Fora com o espírito do Pesadume! 

Aprendi a andar; desde então corro. A prendi a voar; desde então não quero que me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora vôo; agora me vejo no alto, acima de mim, agora um Deus dança em mim".






TENHO UM LUGAR ESPECIAL PARA OUTRO MAL.

Suave na morte, a cada palavra dele. Cai no mar. No infinito presente da dor. Sempre vazia é a dor daquele que mente. Nada de mim se forma sem alegria.


Vive livre comigo? Tudo é difícil. Como uma flor. Sou amor. Vou abrir meu corpo.Desejo ser a maçã, seu cheiro guarda mistério. Melhor assim, meio verde. É verdade bela rosa, lágrimas vem em vida!


Além do sol. Chega bem delicado. Fácil. Comum. Um animal quer ser homem. Uma virgem moça brinca com fogo. Perto do fim. Carinho com gosto de solidão.


A noite corre sorrateira para o dia. Nenhum olho pensa na arte. Bom!  sorte voa, só pela fantasia. Ver você é saber que está só no coração.Vai. Anda. Entre. Entra aquele que sentir paz. Estamos no céu. Não tem graça!


O café preto brilha. Tento acabar. Mãe canta pelo nosso futuro pai. Tão inocente! Minha boca precisa dele. Somos festa, vamos partir? Ninguém deixa...Esse doce biscoito.


Não diz por mal. Por outra era essa pouca luz foi feliz. Como mosca azul. Sem gente. Sinto falta dela. Antes tal, deliciosa saudade!Tenho um lugar especial para outro mal. Fica agora toda surpresa. Triste liberdade...Faz muito amor. 


Trabalho vão. Por pouco tempo. Sou só. Não gosto mais. Fez fria água. Leva o pequeno espaço para onde ele está. Hoje a tarde eu jogo minha cabeça enorme na aventura do sonho. Beijo que parece silêncio...


Jeito de música simples. Jardim, "natureza".Terra. Chuva. Lua. Quanta idéia! Pega forte. Casa com paixão.Mexe no lado certo da boa hora. 


Nunca se pode ver. Um mundo longe. Vi muita coisa fora. Quase fiz total viagem. Quanto maior, menos possível.Sim! Sai leve. Para ter? Toma isso. 


E até já! E todo menor da vez ainda deve também. Tendo em nós 1 e 2 são 3 uns.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011




MEMÓRIA RAM.


Grudado em partes, fica guardado. Fica. Onde Ficou. Mesmo indo embora. Disco oxidado. É matéria existente. Existe. Sujo. Empoeirado. Rabiscado. Não se lê. Desconexão em evidência. Imagens cortadas. Quebradas. Existem assim. Mesmo. Existem ainda memória com espaço. Disco frágil  se enrijece fácil.

Cada lado do seu lado está. Distante. Quase apagado. Camada branca quase transparente cobre a pintura. Cada quadro no seu espaço quadrado. Cores fortes ainda permanecem no fundo da tela. Vulcânicas estagnações de vontade buscam o amarelo Van Gogh. Placidez da Fotografia exposta na sala branca esterilizada.

Estéril. Estaremos. Brancos todos, brancos, ao fundo, ao lado, em frente e verso. Brancos. Gozo. Gozado não. Lá onde fica, é onde? Por que não sai? Grudado. Gravado. Cravado. Modificações, percursos, muitas temporadas, outras cores.

Eis que do nada e do nada ressurge sempre àquela cor que só existe lá, mais ninguém viu, só nós sabemos dela, só nós percebemos o tom. Matiz em contraste. Nitidez. Sim. Nítido. Ensurdecedoramente nítido. Eros de Ray Ban não sabe pra onde atirar.

Mas atira sempre. A-Tiramos. A cena sem ação. Ciao cio. Há-deus?
A cena acionada lá dentro queima, por vezes dói. Seria hoje, cena?
Seria ação, seria. Tantos seriam.

Seriamos aqui ou lá, em algum lugar. Corpo. Pele. Pelos. Lugar. Corpo, onde se ocupa. Ocupado. Lugar em outro está. E vem, forte como um leão, Jorrando beleza. E vem e me devora e me carrega, me rapta. Me capta. Sempre estive. Estiver. Me capta. Me raptou o amarelo. Forte reluz. Ouro Pelos em juba flor. Pelos, sens-ação. Sem. Cerrado lá. Encerrado Já. Cerrado. E Depois? Em cerrado nasce Flor?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011


MINHA MÃE IA

Ver o filho 
Paris bem feliz
Se ela ainda existisse
Ela ia ver como mudou

Tudo dentro e fora
De mim minha mãe ia
Adorar os queijos e vinhos
As ruas, as casas, as flores

O amor aqui é
Mon coeur
Tudo aqui é mon amour
Pardon e merci
Mommie votre enfant est heureux ici

Sim ela ia
Ver o sol brilhando
Sobre a cidade luz
As músicas dos artistas
De becos e ruas
Tudo é aqui Mommie...

Se ela ainda existisse
Tudo seria mais lindo
Ainda a torre seria
mais linda
Ainda a noite seria
Mais.

O amor aqui é
Mon coeur
Tudo aqui é mon amour
Pardon e merci
Mommie votre enfant vit maintenant dans le monde.





terça-feira, 29 de junho de 2010

Zoo Party


A ressaca é interminável, a cama continua laranja e me chama como um penhasco que suga, prometendo um vôo sem volta, sem despedidas. O corpo que emoldura o existente provisório necessita e é necessitado.


O saber liberta, mas também corroe, dilacera os românticos, os alegres! O saber, inevitavelmente nos distancia do cotidiano, do convencional. Todos os corpos que até então eram desenhados pela visão, e entendidos pelos sentidos, começam a se abrir em milhões de outros corpos, e a conclusão, ou melhor, o entendimento da vida, vai ficando cada vez mais distante, pois da mais ínfima partícula pode-se perceber outras milhões de partículas.

O que nos resta? Como disse Rilke, “Resta-nos, quem sabe, a árvore de alguma colina, que podemos rever cada dia; resta-nos a rua de ontem e o apego de algum hábito cotidiano que se afeiçoou a nós e permaneceu. E a noite, a noite, quando o vento pleno dos espaços do mundo desgasta-nos a face, a quem se furtaria ela, a desejada, ternamente enganosa, sobressalto para o coração solitário? Será mais leve para os que se amam? Ai, apenas ocultam eles, um ao outro, seu destino. Não o sabias? Arroja o vácuo aprisionado em teus braços para os espaços que respiramos, talvez os pássaros sentirão o ar mais dilatado, num vôo mais comovido.”

E perdemos ou nos perdemos, em falsas valorações, que não podem trazer nada de bom ao espírito, não alimenta, muito menos sacia. E a cobra rasteira corre atrás do próprio rabo infinitamente, pensa que um dia será feliz e bela como as mariposas que são leves e plenas.

Vivemos numa época voraz, voltamos à barbárie, se é que um dia saímos dela. Revolução tecnológica, robótica, revolução dos sentidos, da falta de sentidos. A caça interminável de recompensas, caça capitalista e carnal, caça do gozo. Revolução da vontade, do insaciável.

Será essa a definição contemporânea? Será que os nossos sucessores terão essa visão de nós? Do nosso tempo, esse tempo que é bordado pelo fio fino e tênue de material humano que compõe um novelo inexplicável, intangível.

E a musica não pára, a ópera de bufões continua, o grande circo com seus palhaços e domadores fazem o grande espetáculo tragicômico da “realidade” almejada. Vamos à festa, viver o momento, morrer na intensidade máxima da paixão, sentir e sentir, não importa o preço, sentir e sentir, pois não se encontra paz no simples, no singelo, não existe mais encantamento.

A real grandeza clama por seus súditos, por seu rebanho, a fauna é grande, o zoológico é pequeno. Quem vai pagar esse pato?

terça-feira, 8 de junho de 2010

Plantando idéias.


Falar sobre o fugidio e indecifrável “Eu” é quase ou totalmente impossível. Já que o intelecto vaidoso forja muitas realidades. Rimbaud já dizia “Eu é um outro”.


Façamos o seguinte, vou tentar falar do que me é apresentado todos os dias, um “eu” que parece ser conhecido meu. Se não corresponder à realidade é porque talvez eu esteja mentindo ou quem estiver ouvindo esse texto não me conheça como eu me conheço.
Ou o sistema humano é uma máquina muito controversa, cheia de meandros, com possibilidades múltiplas de entendimento.


Acredito na ultima hipótese. Somos pessoas passiveis de transformação o tempo todo.
Em constante troca de pele. Quem não troca, morre, vira parasita.

Dentro de todos esses estudos e pesquisas antropológicas e filosóficas e lendo muito tudo isso que é produzido todos os dias e também o que já foi falado pelos antigos gregos, pelos românticos alemães e pela sabedoria clássica francesa, me vejo como um transporte, como algo que transporta um verbo ou um texto, sim, somos palavras, signos, códigos, matemática, somos atores...

Não poderia me concluir numa imagem, não sei dizer o que sinto muito menos o que sou. Como disse, “sou palavra”, e o que está por trás da palavra é simplesmente tentativa de compreensão.

Portanto prefiro não tentar uma arriscada explicação do meu “Eu”. O que posso dizer é que sou esse estranho que busca uma arte, que busca uma ilha para fincar os pés, para plantar um pé de alface ou plantar uma idéia no ar. Sou volição, sou tentativa...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Amor e desejo, somente hoje por preços imbatíveis! Garanta já o seu!


Continuo pensando na educação do desejo, se é possível entender a vontade primitiva que nasce "do nada" e nos toma feito furacão. E é justamente nesse lugar fugidio e incessante, onde não tem espaço para a moral dos resentidos, é que habita, ou melhor, onde se pode ser afetado por alguma fagulha de felicidade instantanea. É ali que mora o transe. Filho do tempo que morre e do tempo que nasce.

Mas aqui procuro definir, e definir é desenhar, é decodificar, é entender. Não acredito que a definição limite o entendimento, o limite está na capacidade intelectual de cada um. Pois para se conhecer algo é necessário dar nome a coisa, por mais que exista uma subjetividade latente. Mas o primeiro passo é entender o que é visto pelos olhos, pelo que nos é apresentado. Por isso limita,  é conclusivo, a palavra em si é conclusíva. Agora, querer entender o que está por trás das definições e das palavras não está no cotidiano social, infelizmente! E o que faço aqui é justamente tentar discutir o que está por trás das definições cotidianas.

O que é o amor? O amor não é idéia e nem volição, amor é desejo, sentimento; é algo carnal até no espírito e graças ao amor que podemos sentir tudo o que o espírito tem de carne.

O pensador espanhol Unamuno, fala que o amor está ligado no fundo há algo trágico e destrutivo, o amor é sem dúvida uma luta, cada um dos amantes procura possuir o outro e, procurando através dele, sua própria perpetuação, procura o seu gozo, sua saciedade vital e efêmera. Cada um dos amantes é para o outro um instrumento de gozo e, mediatamente, de perpetuação. Unamuno classifica os homens como tiranos e escravos, cada um deles tirano e escravo, ao mesmo tempo, do outro.


O que os amantes perpetuam na terra é a carne da dor, é a dor, é a morte. Há na profundidade do amor, uma profundidade de eterno desesperar-se, da qual brotam a esperança e o consolo, pois desse amor carnal e primitivo , desse amor de todo corpo com seus sentidos, que é a origem animal da sociedade humana, desse enamorado surge o amor espiritual e doloroso.

Pois é nesse ponto que entro como a minha questão sobre a angústia de estar vivo, a angústia da posse, da vontade de integração, de unificação em outro corpo, da incapacidade da união suprema dos corpos, da dor de ser só no mundo e, da tentativa desgastante de amar, para poder provar que está vivo, provar que se é.

Sartre em seu texto “O Existencialismo é um Humanismo” fala que o existencialismo não tem pejo em declarar que o homem é angústia, sendo o homem ligado por um compromisso. O homem que entende que ele não é apenas aquele que escolhe ser, mas de que é também um legislador pronto a escolher, ao mesmo tempo que a si próprio, a humanidade inteira, não poderia escapar ao sentimento da sua total e profunda responsabilidade. É na decisão que Sartre situa fundamentalmente a angústia, diante da pluralidade de possibilidades; e quando escolhem uma, dão conta de que ela só tem valor por ter sido escolhida. Esta espécie de angústia, é que descreve o existencialismo.

Por tanto "escolher" é na verdade um ato intelectivo, é uma opção entre duas ou mais pessoas ou coisas. E o que acontece hoje é uma mega liguidação de desejos e valores no saldão. A angustia de não saber escolher causa dor e sofrimento.

A dor é o caminho da consciência e é por ela que os seres vivos chegam a ter consciência de si, porque ter consciência de si, ter personalidade, é saber-se e sentir-se distinto dos demais seres, e só se chega a sentir essa distinção pelo choque, pela dor mais ou menos grande, pela sensação do próprio limite. A consciência de si nada mais é que a consciência de sua própria limitação.


O oposto da dor, o prazer, o gozo, ele nos leva pra longe de nós mesmos, Unamuno diz que quando alguém goza, ele esquece de si mesmo, de que existe, passa ao outro, ao alheio, se alheia. E só se ensimesma, e volta-se para si mesmo, somente pela dor.